Afropolitan

Cresce a adoção de pets exóticos nas grandes cidades

Cão de porte médio olhando através de um portão

Além de cães e gatos, tutores brasileiros vêm adotando calopsitas, porquinhos-da-índia, coelhos, jabutis e lagartos domésticos. A tendência, antes restrita a nichos, se espalhou pelos centros urbanos e mudou o mercado pet: surgiram lojas especializadas, clínicas adaptadas e uma demanda crescente por veterinários de animais não convencionais. Junto com o interesse, porém, vem uma exigência maior de informação e de responsabilidade legal.

Um mercado que se adapta

Lojas especializadas, clínicas com estrutura própria e conteúdos educativos se multiplicaram para atender essa demanda. "É fundamental entender as particularidades de cada espécie, desde alimentação até espaço adequado e socialização", explica o biólogo Rafael Campos, que atua com orientação a novos tutores.

Cada grupo exige cuidados bem diferentes dos de um cão ou gato:

Legalidade e documentação

Nem todos os animais exóticos podem ser criados legalmente em casa. A criação de espécies da fauna silvestre brasileira depende de aquisição em criadouro autorizado pelo Ibama, com nota fiscal e documentação de origem, e espécies exóticas de outros países podem ter exigências específicas. Comprar de origem irregular alimenta o tráfico de animais e sujeita o tutor a multa e apreensão.

Quem tem dúvidas sobre autorizações, documentação ou responsabilidade em caso de fiscalização pode buscar orientação de um advogado zona sul ou de outra região, especialmente quando há regras de condomínio envolvidas.

Atendimento veterinário especializado

O interesse por espécies diferentes exige mais dos profissionais de saúde animal. Alguns veterinários vêm se especializando em animais não convencionais, área que demanda formação específica, e clínicas adaptam sua estrutura para esse público. Um exemplo é o movimento observado em uma veterinaria Zona Sul, onde o atendimento a aves e pequenos mamíferos cresceu nos últimos meses.

Antes de adotar, vale confirmar se há profissional capacitado para aquela espécie na sua região. Muitos problemas em pets exóticos são causados por manejo inadequado e só são percebidos quando o quadro já está avançado, porque esses animais escondem sinais de doença.

Conclusão

A tendência mostra que o vínculo entre humanos e animais continua se diversificando. Com informação, origem legal e acompanhamento veterinário adequado, novas espécies podem encontrar lares bem cuidados, mesmo em meio à agitação das grandes cidades. Sem esses três elementos, porém, o que parece uma escolha original se transforma em sofrimento para o animal.

Perguntas do dia a dia

Todo pet exótico precisa de autorização?

Espécies da fauna silvestre brasileira exigem origem em criadouro autorizado e documentação. Espécies domésticas exóticas, como calopsitas e coelhos, têm regras mais simples, mas ainda pedem procedência legal.

Pets exóticos vivem menos que cães e gatos?

Depende da espécie. Jabutis podem viver décadas, calopsitas chegam a vinte anos e coelhos vivem cerca de dez, o que exige planejamento de longo prazo.

Qualquer veterinário atende animais exóticos?

Não. A clínica de animais não convencionais exige formação específica, e o atendimento inadequado é uma causa frequente de complicações.


Afropolitan, 2026.